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Obstipação

Obstipação em indivíduos em risco nutricional ou desnutridos

A obstipação é uma patologia frequente em seniores e em pacientes críticos ou cirúrgicos com nutrição entérica. As causas da obstipação nestes indivíduos são a administração de fármacos que abrandam o trânsito intestinal, a desidratação, a reduzida ou nenhuma ingestão de fibra e o uso de fórmulas sem fibra. A dor e episódios de impactação fecal afetam negativamente a qualidade de vida do indivíduo. A obstipação também está associada a maior permanência hospitalar, a dificuldade na remoção da ventilação artificial e na suspensão do suporte nutricional.

A obstipação é uma patologia frequente em seniores, com tendência a tornar-se crónica. Define-se como a presença de sintomas de prisão de ventre, junto com o uso habitual de laxantes e a ausência de incontinência fecal ou critérios de diagnóstico de cólon irritável1.

 

A obstipação também é uma das complicações associadas à nutrição entérica (NE), sendo, às vezes, mais frequente que a diarreia. A obstipação na nutrição entérica define-se como a ausência de deposições nos três dias após o início da nutrição, descartando a presença de íleo paralítico. As causas principais da obstipação nestes indivíduos são a administração de fármacos que abrandam o trânsito intestinal, a presença de desidratação, o uso de fórmulas entéricas sem fibra ou a patologia base. Além do impacto negativo da obstipação na qualidade de vida, como a presença de episódios de dor e impactação fecal, também está associada a uma maior permanência hospitalar, à suspensão do suporte nutricional (e consequentemente aumento do risco nutricional4) e dificuldade na remoção da ventilação artificial.2,3. Por isso, é importante evitar a obstipação em indivíduos com nutrição entérica e administrar um suporte e tratamento adequado para minimizar os seus efeitos. Uma das soluções mais eficazes para prevenir ou tratar a obstipação em indivíduos com nutrição entérica é a administração de fórmulas com fibra. A fibra pode melhorar a obstipação mediante dois mecanismos principais: 1) a estimulação mecânica do cólon e retenção de água ao nível do lúmen intestinal, que resiste à absorção do cólon e 2) a produção de ácidos gordos de cadeia curta através da fermentação da fibra, que aumentam a motilidade intestinal e a produção de gases que impulsionam a massa fecal.

 

1.     Botella Romero F, Alfaro Martínez JJ, Hernández López A, Lomas Meneses A, Quílez Toboso R. Estrategias nutricionales ante el estreñimiento y la deshidratación en las personas mayores. Nutr Hosp Suplementos. 2011;4(3):44-51

2.     García de Lorenzo y Mateos A, Montejo González JC.  La fibra en la alimentación. Paciente crítico. Sociedad Española de Nutrición Parenteral y Enteral. Barcelona;2004.

3.     Bittencourt AF, Martins JR, Logullo L, Shiroma G, Horie L, Ortolani MC, et al. Constipation is more frequent than diarrhea in patients fed exclusively by enteral nutrition: results of an observational study. Nutr Clin Pract. 2012;27(4):533-9.

4.    McRorie JW Jr. Evidence-Based Approach to Fiber Supplements and Clinically Meaningful Health Benefits, Part 2: What to Look for and How to Recommend an Effective Fiber Therapy. Nutr Today. 2015;50(2):90-97.

5.      Carrera  C. Frecuencia de las complicaciones gastrointestinales en Nutrición Enteral Domiciliaria (NED) en pacientes adultos.Nacional. Nutr. clín. diet. hosp. 2011; 31(2):26-33