Risco nutricional em indivíduos com diarreia associada à nutrição entérica (nutrição por sonda e suplementos orais)

A nutrição entérica pode apresentar diversas complicações, sendo uma das mais frequentes a diarreia. A sua etiologia é multifatorial: fórmulas com baixo teor ou sem fibra, patologias subjacentes, utilização de fármacos como por exemplo antibióticos de largo espetro. O que conduz a uma alteração do equilíbrio de absorção de água/sódio em forma de um aumento de fezes de menor consistência que a habitual, acompanhada por um aumento do número das mesmas. A diarreia pode provocar ao indivíduo incontinência fecal, alterações eletrolíticas, desidratação e pode significar a interrupção do suporte nutricional com a consequente apresentação de desnutrição em indivíduos em risco nutricional. Num indivíduo com nutrição entérica (link para produto) deve ser considerada a prevenção da diarreia através da administração de um suporte nutricional adequado (link para produto).

A nutrição entérica (NE) pode implicar uma série de complicações gastrointestinais, metabólicas, sépticas e mecânicas. As mais frequentes são as gastrointestinais e entre elas encontra-se a diarreia. A diarreia associada à nutrição entérica (DANE) é frequente tanto em ambiente hospitalar, ocorrendo principalmente em pacientes críticos ou cirúrgicos, como em ambulatório. A sua etiologia é multifatorial, com destaque para a prescrição a estes indivíduos de antibióticos de largo espectro e utilização de fórmulas de baixo teor em fibra, que podem alterar a microflora do cólon, com uma consequente diminuição na produção de ácidos gordos de cadeia curta. A diminuição destes ácidos gordos conduz a uma alteração no equilíbrio de absorção água/sódio e consequentemente surge diarreia. Para além destes fatores, outros relacionados com a técnica de administração da nutrição, infeciosos ou relacionados com o próprio indivíduo, podem participar na predisposição da diarreia1.

A diarreia impacta negativamente os indivíduos, tanto pela incontinência fecal associada a alguns casos, juntamente com as alterações eletrolíticas. Também pode ser necessário suspender a nutrição entérica, originando um agravamento do seu estado nutricional2. A prevenção e correto tratamento da DANE com um suporte nutricional adequado, são algumas das questões a ter em conta antes de se iniciar nutrição entérica no indivíduo1.

1.     García de Lorenzo y Mateos A, Montejo González JC.  La fibra en la alimentación. Paciente crítico. Sociedad Española de Nutrición Parenteral y Enteral. Barcelona;2004.

2.     Majid HA, Emery PW, Whelan K. Definitions, attitudes, and management practices in relation to diarrhea during enteral nutrition: a survey of patients, nurses, and dietitians. Nutr Clin Pract. 2012;27(2):252-60.

 

Leia mais
Fechar
A diarreia afeta 15% dos doentes críticos com administração de nutrição entérica, internados em unidades de cuidados intensivos. Fuentes: García de Lorenzo y Mateos A, Montejo González JC. La fibra en la alimentación. Paciente crítico. Sociedad Española de Nutrición Parenteral y Enteral. Barcelona;2004.
Gómez Sánchez MB, García-Talavera Espín NV, Sánchez Álvarez C, Zomeño Ros AI, Hernández MN, Gómez Ramos MJ, et al. [Perioperative nutritional support in patients with colorectal neoplasms]. Nutr Hosp. 2010;25(5):797-805.
Mais de 50% dos casos de DANE podem estar relacionados com fármacos, mais concretamente com antibióticos. Fuente: Montejo González JC, Catalán González M. Diarrea. Significado y control en nutrición artificial. Nutr Clin Med 2009; 3 (1): 40-51
A DANE pode provocar incontinência fecal, afetando a sua qualidade de vida, alterações eletrolíticas, desidratação, por vezes obrigando à suspensão da NE e, consequentemente, afetar o seu estado nutricional.
Fuente: Majid HA, Emery PW, Whelan K. Definitions, attitudes, and management practices in relation to diarrhea during enteral nutrition: a survey of patients, nurses, and dietitians. Nutr Clin Pract. 2012;27(2):252-60.

Recomendações nutricionais em indivíduos com risco nutricional ou com desnutrição e diarreia

RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS EM INDIVÍDUOS COM RISCO NUTRICIONAL OU COM DESNUTRIÇÃO E DIARREIA

Num indivíduo com DANE (diarreia associada à nutrição entérica) deverá ser avaliada a situação clínica do mesmo, estudar as possíveis causas ou fatores de predisposição da diarreia para a sua modificação (infeção, medicação…) e considerar os fatores relacionados com a técnica de administração ou o tipo de fórmula.
Recomendações nutricionais em indivíduos em risco nutricional ou com desnutrição e diarreia

RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS EM INDIVÍDUOS EM RISCO NUTRICIONAL OU COM DESNUTRIÇÃO E DIARREIA

Para a prevenção e tratamento da DANE, recomenda-se:
  • Realizar uma reposição de eletrólitos
  • Modificações dietéticas e adequação do suporte nutricional, com a utilização de fórmula entérica com fibra solúvel (15-30 g de fibra/dia).
Suporte nutricional específico em indivíduos em risco nutricional ou desnutridos com diarreia

SUPORTE NUTRICIONAL ESPECÍFICO EM INDIVÍDUOS EM RISCO NUTRICIONAL OU DESNUTRIDOS COM DIARREIA

Recomenda-se a utilização de fórmulas nutricionais específicas na diarreia associada à nutrição entérica (DANE), já que:
  • O uso de fórmulas entéricas com fibra solúvel (1.000 ml fórmula/dia) demonstrou reduzir a gravidade da DANE e o número de dias
  • O uso de fórmulas entéricas com goma de guar parcialmente hidrolisada (GGPH) demostrou eficácia na prevenção e tratamento da DANE, portanto, o uso de GGPH diminui a frequência e a duração da diarreia.
Suporte nutricional específico em indivíduos em risco nutricional ou desnutridos com diarreia

SUPORTE NUTRICIONAL ESPECÍFICO EM INDIVÍDUOS EM RISCO NUTRICIONAL OU DESNUTRIDOS COM DIARREIA

A fibra GGPH alcança o intestino grosso onde é fermentada pelas bactérias do cólon e produz ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) e gases, principalmente hidrogénio, dióxido de carbono e metano. Os AGCC são absorvidos pelo colonócito causando uma absorção significativa de H2O e eletrólitos. Este processo remove a água das fezes, ajudando a prevenir e/ou diminuir a diarreia. A própria fibra GGPH e os AGCC, por sua vez, estimulam o crescimento de microrganismos do cólon, que contribuem para manter a função da barreira intestinal.