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Doente CríticoDoente Crítico

Doente Crítico

Risco Nutricional em Doentes Críticos

O doente crítico internado em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) apresenta necessidades nutricionais elevadas, devido em parte à resposta de stress do próprio organismo, de carácter hipercatabólico para obter os substratos metabólicos necessários, provocando uma perda de massa muscular. Se o organismo não consegue atingir as necessidades energéticas necerrárias, corre o risco de desnutrição, o que implica um pior prognóstico para esses doentes. Um suporte nutricional adequado evita o risco de desnutrição e melhora o prognóstico dos doentes.

O doente admitido em UCI ou doente crítico apresenta uma resposta de stress de origem patológica, cirúrgica ou traumática que motiva o internamento. Esta resposta neuroendócrina pretende aumentar os substratos metabólicos para responder às necessidades energéticas necessárias numa situação de stress. Numa primeira fase, ocorre uma resposta catabólica em que existe a libertação de substratos e, numa fase posterior a resposta anabólica em que o organismo utiliza estes substratos para responder às necessidades dos diferentes sistemas. Na fase catabólica ocorre um catabolismo proteico que leva a uma perda de massa muscular. Se esta resposta não for acompanhada de um estado nutricional adequado (ou ingestão nutricional insuficiente), existe um risco de desnutrição, cuja presença no paciente tem pior prognóstico. Assim, a desnutrição está associada a uma permanência mais prolongada em UCI e hospitalar, maior risco de infeções devido ao compromisso da resposta imune, necessidade de mais dias de ventilação mecânica, atraso na cicatrização de feridas e maiores taxas de mortalidade.

Para um melhor prognóstico do paciente crítico, um suporte nutricional adequado é indispensável, onde a nutrição entérica (NE) desempenha um papel importante, já que a maioria destes doentes não é alimentado por via oral. A avaliação nutricional destes doentes no momento do internamento em UCI é essencial para identificar quais os que necessitam suporte nutricional e o tipo de suporte adequado.1


1. Ruiz-Santana S, Arboleda Sánchez JA, Abilés J; Grupo de Trabalho de Metabolismo e Nutrição da Sociedade Espanhola de Medicina Intensiva e Unidades Coronárias. Diretrizes para suporte nutricional e metabólico especializado em pacientes críticos: atualização. Consenso SEMICYUC-SENPE: avaliação nutricional. NutrHosp. 2011; 26Suppl 2: 12-5.


Bibliografia complementar:
1- Seron-Arbeloa C, Zamora-Elson M, Labarta-Monzon L, Mallor-Bonet T. Nutrição enteral em cuidados intensivos. J Clin Med Res 2013; 5 (1): 1-11.
2- Huynh D, Chapman MJ, Nguyen NQ. Apoio nutricional em doentes críticos. Curr Opin Gastroenterol. 2013; 29 (2): 208-15.
3- Ruiz-Santana S, Arboleda Sánchez JA, Abilés J; Grupo de Trabalho de Metabolismo e Nutrição da Sociedade Espanhola de Medicina Intensiva e Unidades Coronárias. Diretrizes para suporte nutricional e metabólico especializado em pacientes críticos: atualização. Consenso SEMICYUC-SENPE: avaliação nutricional. Nutr Hosp. 2011; 26 Suppl. 2: 12-5.

Recomendações nutricionais em doentes críticos

  • A avaliação do estado nutricional no momento de internamento na UCI e o seu acompanhamento diário em doentes com desnutrição ou que não venham a receber em três dias dieta oral completa recomenda-se:
    • O início do suporte nutricional com NE precoce (em alguns casos < 24 horas)
    • Iniciar a nutrição parentérica em doentes que a NE seja contraindicada ou não tolerada
    • Atingir o objetivo energético às 48-72 horas após o início da NE1,2.

1. Fernández-Ortega JF, Herrero Meseguer JI, Martínez García P; Metabolism and Nutrition Working Group of the Spanish Society of Intensive Care Medicine and Coronary units. Guidelines for specialized nutritional and metabolic support in the critically-ill patient: update. Consensus SEMICYUC-SENPE: indications, timing and routes of nutrient delivery. 2011;26Suppl 2:7-11.
2. Kreymann KG, Berger MM, Deutz NE, Hiesmayr M, Jolliet P, Kazandjiev G, et al. ESPEN Guidelineson Enteral Nutrition: Intensivecare. ClinNutr. 2006;25(2):210-23.




Suporte nutricional específico em doentes críticos

Em doentes com NE recomenda-se:

  • Para a generalidade um aporte de 25 kcal/ kg de peso atual/ dia.
  • Manter uma glicémia abaixo de 150 mg/dl.
  • Um aporte proteico de 1-1,8g por kg de peso/dia.
  • O aporte de micronutrientes (vitaminas e oligoelementos)
  • O uso de fórmulas imunomoduladoras (enriquecidas com arginina, nucleótidos ou ácidos gordos n-3), sobretudo em doentes críticos cirúrgicos, traumáticos ou transplantados.1

1.Bonet Saris A, MárquezVácaro JA, Serón Arbeloa C; Spanish Society of Intensive Care Medicine and Coronary Units-Spanish Society of Parenteral and Enteral Nutrition (SEMICYUC-SENPE). [Guidelines for specialized nutritional and metabolic support in the critically-ill patient. Update. Consensus of the Spanish Society of Intensive Care Medicine and Coronary Units-Spanish Society of Parenteral and Enteral Nutrition (SEMICYUC-SENPE): macro-and micronutrient requirements]. Med Intensiva. 2011;35 Suppl 1:17-21


A importância de cumprir com o tratamento nutricional

No doente crítico com NE recomenda-se:

  • Atingir as necessidades nutricionais estipuladas antes das 48-72 horas após o início da NE.
  • Iniciar NP complementar quando 60% das necessidades nutricionais com NE não são atingidas no quarto dia de admissão ou por dois dias consecutivos.
  • Na fase anabólica, ou recuperação, manter o aporte de 25-30 kcal/ kg de peso/ dia.1,2

1. Fernández-Ortega JF, Herrero Meseguer JI, Martínez García P; Metabolism and Nutrition Working Group of the Spanish Society of Intensive Care Medicine and Coronary units. Guidelines for specialized nutritional and metabolic support in the critically-ill patient: update. Consensus SEMICYUC-SENPE: indications, timing and routes of nutrient delivery. NutrHosp. 2011;26Suppl 2:7-11.
2. Kreymann KG, Berger MM, Deutz NE, Hiesmayr M, Jolliet P, Kazandjiev G, et al. ESPEN Guidelineson Enteral Nutrition: Intensivecare. ClinNutr. 2006;25(2):210-23.




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